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26/05/2006


A Face Feminina Zapatista



Oito de março de 1996. Mulheres da base de apoio zapatistas tomaram a cidade de San Cristóbal de las Casas (Chiapas – México), em manifestação e comemoração ao Dia Internacional da Mulher. As milhares de chiapanecas, algumas muito jovens, outras já mais idosas; umas inseparáveis de seus filhos, outras acompanhadas pela esperança; aglomeravam-se nas ruas da cidade destacando-se não somente pela quantidade, mas ainda pelo uso de pasamontañas ocultando suas identidades e pelo colorido dos vestidos.

Embaladas por cantos pertinentes ao momento, manifestaram suas considerações pela data:

“As mulheres zapatistas, as combatentes e não combatentes, lutam por seus próprios direitos como mulheres. Enfrentam também a cultura machista partida dos próprios companheiros zapatistas. As mulheres zapatistas não são livres pelo direito de serem zapatistas, têm muito que lutar e que ganhar”, (discurso do EZLN em 8 de março de 1996).

Unidas e munidas de coragem, mulheres seguem rumo as montanhas, sem saber o que a esperam. Algumas deixam casas, outras vão em busca delas. Falar do Exercito Zapatista de Libertação Nacional – México sem mencionar suas revolucionárias é desmerecer a grande base de apoio do movimento. Presentes desde o início combóiam-se com suas famílias e lutam de igual para igual por direitos vetados pelo governo.

Dentro da revolução, as zapatistas são mães, esposas, companheiras, insurgentes, algumas até lideram e comandam. São índias e são mulheres. E provam que estes são a chave do segredo de suas conquistas. Em meio aos comandantes e líderes, sempre é possível encontrar um nome antecedido pelo artigo ‘A’. A comandante Ana Maria, que liderou pouco mais de 900 insurgentes na tomada da cidade de San Cristóbal de Las Casas em 1° de janeiro de 1994 (uma das cidades onde foi feita a leitura da primeira declaração da Selva Lacandona). A tenente Gabriela que, justo com outros insurgentes, caçou para sua tropa. Guadalupe Méndez Lopes, mulher zapatista da comunidade de La Garrucha que morreu em 12 de janeiro de 98, na represália sofrida durante passeata em Ocosingo. A comandante Elisa presa em fevereiro de 95 na cidade do México. Apenas alguns nomes das militantes que se entregam de corpo e alma em nome da paz e da justiça.

Do outro lado, as não menos heroínas que aguardam nas comunidades zapatistas o regresso dos combatentes, arriscando suas vidas e a de seus filhos, cabendo a elas guardar as cidades enfraquecidas e pouco armadas. Manifestam em passeatas seu apoio à causa e indignação ao governo. Nas invasões do exercito militar a essas comunidades, muitas mulheres não combatentes são agredidas, outras mortas. Vêem suas casas serem destruídas, sofre com o corte de fornecimento de água. Em 96, uma dessas ofensivas foi a uma igreja católica no município de Tila, onde mulheres, crianças e idosos ficaram feridas.

De forma organizada, as insurgentes buscam legitimar respeito dentro da própria comunidade. E ditam ‘leis paralelas’ onde estabelecem a "Lei revolucionária de mulheres" criada com base nas experiências femininas ao longo dos anos. São artigos que reforçam direitos como o de trabalho e salário justo; direito à educação; o de escolherem seus parceiros; direito de assinarem leis e regulamentos revolucionários; podem tomar parte nos assuntos da comunidade e ocupar cargos se eleitas de forma livre e democraticamente; maus tratos e violação partindo de qualquer pessoa sejam familiares ou não é visto como crime e deve ser tratado como tal.

Destacam-se e valorizam-se sem desmerecer seus companheiros. Em nome de uma luta armada, porém justa, lutam lado a lado, homens e mulheres por melhores condições de vida, dignidade, respeito, saúde, educação. Lutam por um governo que atenda as necessidades dos cidadãos mexicanos sem distinção étnica, social. O EZLN não é o único movimento revolucionário existente no planeta. Mas sem duvida é o mais organizado e definido em suas exigências e atuação. Aceitam e respeitam qualquer tipo de gente desde que este esteja disposto a abraçar a acusa e dar sua vida por isso. Ascendem nas populações mais carentes à consciência política e a vontade de mudar o que está errado.

Escrito por "Little dos Anjos" às 12h15
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