Sentimentos em 14 de julho
Expressar em palavras o tamanho do meu amor por minha mãe é impossível diante de tamanha grandiosidade. Os anos passam e é inexplicável como, embora crescente, ainda exista espaço dentro do meu peito para guardar esse sentimento. Somos perfeitas e completas em união e combinação, nossas vidas se cruzam e se entrelaçam no mar de julho. Se treze é o número do azar, em nossas vidas têm se mostrado simplesmente como um curto período que por um momento nos separou ao mesmo tempo em que nos aproximou.
Carlos Drummond de Andrade
Fragmento tirado da obra “As Sem-Razões do Amor”
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
(...)
Por que Deus permite que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite.
É tempo sem hora,
luz que não apaga quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido na pele enrugada.
água pura, ar puro, puro pensamento.
Morrer, acontece com o que é breve
e passa sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é a eternidade.
Por que Deus se lembra (mistério profundo)
de tirá-la um dia?...
Fosse eu rei do mundo,
baixava uma lei:
"Mãe, não morre nunca.
Mãe ficará sempre junto de seu filho.
E ele, velho embora,
Será pequenino feito grão de milho"



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